Leitura dinâmica
Maio 28, 2009
Ando sem tempo. Para tudo. Final de período é uma das coisas mais tensas do mundo e, dessa vez, estou vivenciando um modelo extremamente prolongando. 2 semanas de terror? Quem dera. Estou há mais ou menos 1 mês nessa – e mais um mês vem aí.
Mas sinto verdadeira saudade de escrever aqui, o que falta é tempo suficiente para fazer um post com um bocadinho que seja de decência. Para mudar pelo menos o status de blog inativo disso aqui, resolvi fazer algo diferente hoje. A quem interessar…
Reparem na página inicial do site do jornal O Globo. Primeiras notícias. Problemas no Aeroporto Santos Dumont, MEC, dólar, CPI, caso Sean, futebol e… Juliana Paes faz a própria maquiagem em “Caminho das Índias”! Ah, sim, claro. Tá aí uma coisa que eu não podia sair de casa sem tomar conhecimento hoje!
Logo abaixo, seriedade de novo. Política internacional. Passamos para a subdivisão “Brasil Hoje”. Eis a pérola:
“Universitários teriam chutado gambá até a morte em MG” – estudantes universitários de Veterinária, acreditem se quiser. Nada particularmente contra essa matéria, com certeza é algo no mínimo louco duas pessoas que, supostamente, deveriam prezar pela saúde dos animais resolverem matar um bicho à base de pontapés. Mas isso ser a primeira notícia, destacada, em “Brasil Hoje”?? Nós não temos assuntos muito mais sérios e constantes para tratar?
Daí pra baixo são só banalidades mesmo. Fofocas de celebridades, bizarrices ao redor do mundo (já ouviram falar na síndrome do formigamento da coxa?) e outras matérias que eu, você e o resto do mundo não precisamos saber – mas queremos. E nos interessamos. E, muitas vezes, são essas as únicas matérias que lemos do jornal inteiro.
Agora que já me informei sobre essa síndrome terrível nas coxas, vou partir para o próximo texto da faculdade. Até qualquer dia.
“You can’t stop the beat”
Maio 10, 2009
Depois do meu mega sumiço, eu devia fazer um post enorme e bem trabalhado sobre a gripe suína e tudo mais. Mas não, não hoje.
Voltando a falar de filmes! Isso vicia.
O último filme que eu vi foi “Hairspray” (2007). Admito que tinha um certo preconceito em relação a ele; eu imaginava um musical bobinho com ares de comédia romântica açucaradíssima. Qual não foi a minha surpresa ao me ver completamente viciada no filme e nas músicas (aliás, estou cantando nesse momento mais uma da trilha sonora).
Parte do meu preconceito era devido ao elenco. Amanda Bynes e Zac Efron não me inspiram muita confiança em nenhuma produção cinematográfica – sempre sinto que eles não desejam ultrapassar muito os papéis-para-divertir (e emburrecer um bocado, convenhamos). O estilo forçado nos personagens deles não me agrada nem um pouco, mas o filme superou todos esses detalhes.
Não vão assistir esperando um filme modificador de vidas. “Hairspray” é entretenimento, mas não só (e se fosse só, o que há de errado nisso? Já ouço os adeptos do cinema engajado rosnarem). O roteiro mescla a história bonitinha da adorável e curvilínea protagonista Tracy Turnblad com toda uma questão relacionada ao debate sobre preconceito racial. E, é claro, tudo isso embalado por músicas de melodia e letras agradáveis.
Muito além de querer construir só mais alguns casais fofos para o rol dos mesmos no cinema, “Hairspray” mostra a luta contra o racismo nos Estados Unidos dos anos 60. Além disso mostra outro tipo de preconceito, esse com menos destaque midiático: aquele contra os mais gordinhos.
“Hairspray” relembra um assunto que nunca deve ser deixado fora de pauta. Ainda hoje, preconceito é um problema sério, sem solução e deve ser combatido. Até mesmo porque, infelizmente, o final feliz do filme não se aplica a nossa História.
Em resumo, é um musical que vale a pena assistir, especialmente porque não se limita a histórias sobre grupos de dança ou escolas de cantores e compositores. O assunto vai além. Aliás, o assunto persiste até hoje. Mas para se falar de preconceito, esse post não basta. Até a próxima.
“Tão estranho quanto uma laranja mecânica”
Abril 18, 2009
Ontem eu finalmente vi “Laranja Mecânica”, um dos clássicos do cinema. Admito que sou um tanto quanto ignorante em relação à sétima arte, mas ando me esforçando para modificar esse quadro.

"Laranja Mecânica"
O filme não foi nada do que eu esperava. Não tinha idéia do que ele tratava, nunca tinha lido sobre a temática abordada, enfrentei aquele monstro do cinema totalmente às cegas. Como de costume, assim que os créditos apareceram na tela fui direto para o computador pesquisar sobre a obra de Kubrick. Esse conhecimento “a posteriori” permitiu que eu me surpreendesse mais com o filme. E, nossa, como o filme e o livro em que ele é baseado (”Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess) são bem fundamentos no futuro/atualidade que buscam retratar.
O terrivelmente incrível Alexander DeLarge aparece hoje em diversos noticiários. A juventude violenta sem propósito é uma realidade assustadora. “Violência sem propósito”. Engraçado isso. Para mim, a violência nunca é justificável através de nenhuma intenção. Mas isso é assunto para outra discussão.
O que tento entender hoje é porque algumas pessoas, assim como o Alex de Burgess, acham tão divertido praticar atos de violência. Não consigo encaixar na minha cabeça o fato dessas pessoas sentirem verdadeiro prazer em realizar atos cruéis. O que leva playboys a colocarem fogo em um homem dormindo na rua? O que motiva os pais a agredirem seu próprio bebê?¹ Por que algumas pessoas se acham superiores o suficiente para agredir um outro ser humano?
E não me venham com esse papo de que, algumas vezes, a pessoa teve um passado violento e isso refletiu nas suas ações quando adulta. Para mim, violência gera uma espécie de auto-defesa e horror à própria violência. “Gentileza gera gentileza” sim, mas essa lógica não pode ser aplicada a todo o resto.
A sociedade tem que parar de acreditar em políticas do tipo “só matando que se acaba com o tráfico”. Temos que parar de legitimar o acerto de contas, a guerra, a tortura, a dor, a morte.
Estamos no ano 2009, nos vangloriamos do nosso grau de desenvolvimento e… nossa mente continua presa no milênio passado. A sociedade ainda se organiza hierarquicamente. Ainda somos extremamente humanistas, egocêntricos.
Nunca estamos curados dessa doença afinal. Burgess estava certo.
Nostalgia futebolística
Abril 14, 2009
Segunda-feira é sempre dia de discussão sobre futebol. As camisas dos times vencedores do fim-de-semana surgem em massa nas ruas e as torcidas perdedoras se dividem entre aqueles que ficam quietos e envergonhados e os fiéis defensores do time.
Ontem não foi diferente. O feriadão da Semana Santa trouxe para os cariocas duas partidas clássicas capazes de fazer o sangue de qualquer aficionado ferver. Não sou uma grande aficionada e, mesmo vendo o meu time vencer, não foi esse o motivo pelo qual senti o impulso de escrever este texto. As discussões posteriores aos jogos, essas sim me motivaram.

Faixa-protesto da torcida tricolor
De novidades esses debates não têm nada. São sempre críticas às torcidas e à falta de raça dos jogadores. Mas a questão é que essas reclamações são direcionadas aos times perdedores da rodada, o que implica em uma espécie de debate cíclico, visto que não há hegemonia absoluta no futebol. Quando o Flamengo perde, reclamam do “estrelismo” de alguns jogadores. Quando é o Fluminense e o Vasco, da falta de raça. No caso do Botafogo, o problema é da injustiça da arbitragem. Todos têm problemas com seus diretores, jogadores, equipe técnica, verba…
Por outro lado, no momento em que qualquer um desses times alcança a vitória, tudo é esquecido. Só há espaço para cantar o hino e exaltar as maravilhas de ser um torcedor fiel.
E aí eu me pergunto: de que vale ser torcedor fiel hoje?
Os jogadores não são fiéis, são constantemente vendidos, vão para onde oferecerem a maior quantia. Veja a própria Seleção Brasileira, onde praticamente todos preferem se envolver com os clubes europeus ao invés dos brasileiros.
A presidência dos clubes não podia se importar menos com a torcida – e muito menos com o futebol. Cansamos de ver notícias sobre salários atrasados, estádios e sedes mal administradas, corrupção… Corrupção essa que também alcança os árbitros, assistentes e bandeirinhas.
O futebol (e, para sermos sinceros, não só o carioca…) perdeu a sua essência. Não se joga mais por prazer, pela arte, pelo amor ao esporte. O que importa é o dinheiro.
Exemplo maior disso é o recente drama do jogador da Seleção, Adriano. Depois de “sumir” por um tempo, o Imperador declarou ter perdido a vontade de jogar – na minha opinião, vontade essa que só existiu nos dias de pelada na rua, naquele tempo em que ele amava o esporte de graça, sem nenhuma questão econômica envolvida.
Os torcedores também mudaram. Não se torce mais pela paixão por um time. Torcida agora é algo perigoso, onde as brigas são utilizadas como prova de amor sem limites. Ou então, ter um time é “status” para as patricinhas que não se importam com os jogos, mas querem falar que sabem de futebol.
Sinceramente, perdi um pouco do gosto de assistir futebol. Me sinto mal ao ver uma partida feia no domingo à tarde, especialmente porque bate aquela nostalgia dos domingos tediosos que se tornavam incríveis só por causa de uma bela partida. Nem os debates de segunda-feira são os mesmos, não há substância intelectual, lógica ou boa argumentação - só ofensas e “meu time é melhor que o seu e ponto”. É triste ser jovem e já ter perdido muita coisa da minha “belle époque”. Os tempos mudaram.
“We are the rule”
Abril 8, 2009
Ontem, depois da decepção do adiamento da nossa terceira choppada e com a iminência de chuva, eu e minhas amigas resolvemos ir ao cinema. Ao invés de escolher outro daqueles filmes recomendados pelos professores e comentados pelos grupos mais intelectualóides, resolvemos, como nós mesmas admitimos, ver um filme “de mulherzinha”.
“Ele Não Está Tão Afim de Você” (”He’s Just Not That Into You”, 2009) é mesmo um filme de
mulherzinha, não há dúvida em relação a isso. Mas a parte interessante é o fato dele não se limitar ao enredo açucarado e repleto de finais felizes capazes de quebrar o coração de qualquer mulher solteira. Pode até soar meio ridículo, mas, no mínimo, o filme é didático.
Não existe uma pessoa no mundo sem problemas amorosos. Cada um pensa que essas turbulências são exclusividade sua, mas no fundo sabemos que não é bem assim. A diferença entre as pessoas consideradas sortudas no amor e, bom, nós, é o modo de lidar com os empecilhos encontrados ao longo da vida.
Tanto o filme mencionado, quanto o livro homônimo em que se baseia procuram chamar atenção para aquilo que falta nas mulheres para lidar com esses probleminhas: objetividade. Ao contrário da maioria dos homens, nós refletimos demais sobre todos os detalhes de um relacionamento (real ou em potencial). E isso estraga tudo.
E é aí que surge o grande ensinamento do livro: Não pense demais, não crie razões ou desculpas para as ações do outro. E, o mais importante: não ouça as histórias contadas por aí de “contos de fada da vida real”. Como destacou com precisão o personagem Alex, no filme: “Essas histórias são as exceções. A maioria é a regra”.
Apesar do ritmo de verdade-nua-e-crua de “Ele Não Está Tão a Fim de Você” ser quebrado pelo final predominantemente feliz, os ensinamentos inseridos nele permitem uma reflexão posterior. O filme pode não ser nada referente a questões políticas, sociais ou econômicas, mas, convenhamos, amor e relacionamentos também são capazes de virar a cabeça de qualquer líder de Estado. É bobinho e “de mulherzinha”, mas não só. Ainda vai ajudar um bom números de garotas por aí (me incluo nessa, não tenho vergonha de admitir).
Portanto, para aqueles capazes de ir ao cinema ser pré-julgamentos inviabilizadores de uma sessão proveitosa, recomendo. Junte suas amigas e faça uma festa.
Recomeço, digamos.
Abril 8, 2009
Finalmente reuni a minha força hesitante e vim até aqui.
Este blog pode não ser lido por ninguém, mas a verdade é que o pouco que ele é me faz feliz. E por isso voltei, para escrever para mim, criticar para mim, exercitar ligeiramente a minha criatividade e me sentir como ser atuante nessa sociedade.
Dizem por aí que somos aquilo que acreditamos ser. Pois bem, escolhi acreditar nisso aqui.
Até!